Muitas vezes, ao escutarmos as palavras de Jesus sobre o adultério no coração, imediatamente somos tomados por um sentimento de culpa, vergonha ou medo. Afinal, o próprio Cristo afirma: “Todo aquele que olhar para uma mulher com desejo impuro já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5,28). Palavras duras, sem dúvida. Mas será que foram ditas para nos condenar?
O Papa São João Paulo II, em suas catequeses sobre o amor humano, nos convida a ir além da superfície dessas palavras. Ele nos alerta que Cristo não veio para condenar, mas para salvar. E suas palavras, mesmo quando firmes, são sempre expressão do amor que quer nos curar, libertar e redimir.
O olhar de Cristo não é de condenação, mas de restauração
O Evangelho de João afirma com clareza: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3,17). Portanto, ao falar sobre a luxúria e o adultério no coração, Cristo não está apenas apontando falhas; está revelando feridas que precisam ser curadas. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29), não o juiz que nos rejeita.
Na verdade, Jesus está nos convidando a um reencontro com a nossa identidade mais profunda. A luxúria, herdada pelo pecado original, obscureceu o plano divino sobre o amor e o sexo. Mas ela não apagou totalmente esse plano. Como ensina São João Paulo II, em nossos corações ainda existe uma herança mais profunda que a desordem.
A fonte que jorra no fundo do coração
O coração humano pode ser comparado a um poço profundo. Em sua superfície, muitas vezes encontramos lama, sujeira, feridas emocionais e distorções causadas pelo pecado e pela cultura atual. Mas se mergulharmos mais fundo, encontraremos uma fonte viva, uma herança preciosa deixada por Deus, que ainda pulsa com o desejo de amar de maneira verdadeira e pura.
Cristo, com suas palavras, reativa essa fonte interior, despertando em nós o desejo de viver o amor conforme o plano original. Suas palavras não nos condenam à culpa eterna; elas nos levantam e nos convidam a uma transformação verdadeira, que começa aqui e agora.
A redenção da sexualidade é possível
A boa nova do Evangelho é justamente essa: a redenção é possível. Cristo não morreu na cruz apenas para que tenhamos melhores estratégias de combate aos pecados. Isso, de certo modo, a humanidade já tentava por si mesma. Ele morreu e ressuscitou para que pudéssemos viver uma vida nova (cf. Rm 6,4).
Essa vida nova inclui a transformação dos nossos desejos. O Catecismo da Igreja Católica afirma com beleza: “De certo modo, já ressuscitamos com Cristo” (CIC 1002). Isso significa que, mesmo em meio às lutas, já podemos experimentar sinais de redenção. Não precisamos passar a vida inteira apenas tentando “domar” a luxúria. Somos chamados a permitir que Deus purifique o nosso olhar, o nosso coração e os nossos afetos.
Não se trata de reprimir, mas de redirecionar
A proposta cristã não é de repressão, mas de redenção. A luxúria não será vencida apenas com força de vontade ou repressão, mas com uma reeducação do olhar e do coração. Cristo nos oferece um caminho concreto: tomar a cruz, segui-lo e deixar que Ele transforme nosso modo de amar.
Essa conversão é árdua, sim, mas profundamente libertadora. À medida que acolhemos a graça, deixamos de ver as pessoas como objetos e passamos a vê-las com dignidade. Saímos de um amor interesseiro e carnal para uma experiência mais profunda e autêntica de entrega, generosidade e respeito.
O olhar que ama e não usa
São João Paulo II disse algo impactante: “O oposto do amor não é o ódio, mas o uso.” Quando olhamos para alguém apenas com desejo egoísta, tratando aquela pessoa como objeto de prazer, estamos negando sua dignidade e a nossa própria. Esse olhar ferido não pode gerar amor verdadeiro.
Mas quando somos tocados por Cristo, nosso olhar muda. Passamos a enxergar o outro como alguém a ser amado, e não utilizado. Essa é a verdadeira cura que Jesus deseja nos dar: um novo modo de amar.
Uma jornada possível e necessária
A restauração interior é um processo. Cristo nos convida a caminhar com Ele. A cada passo, Ele vai nos mostrando um novo horizonte de sentido, uma nova beleza para a sexualidade humana. Não se trata de viver oprimido, nem de fingir que não se sente tentações. Trata-se de viver com a verdade, com fé, e com o olhar fixo em Jesus.
Não somos prisioneiros de nossos erros. Não estamos condenados à luxúria ou a relacionamentos superficiais. Existe cura. Existe redenção. Existe uma vida nova disponível para cada um de nós. Basta confiar, abrir-se à graça e seguir em frente com coragem.
Conclusão: O Evangelho é sempre boa notícia
As palavras de Cristo sobre a luxúria não são palavras de peso, mas palavras de libertação. Elas nos mostram um caminho mais alto, mais exigente, mas infinitamente mais belo. E, acima de tudo, nos lembram que não estamos sozinhos nessa jornada.
Cristo caminha conosco. Ele nos conhece, nos ama e quer restaurar em nós a imagem bela e pura que o pecado tentou apagar. Ele não veio para nos envergonhar, mas para nos resgatar e nos levar a viver como filhos amados do Pai.


Bom dia!!
Que amor te Jesus por cada um de nós!!
Cada vez que conheço mais profundamente Jesus mais me aproximo de mim mesma e do meu próximo.
Mas entendo o meu viver e a minha sexualidade que é dom e entrega total a Deus e a meu próximo!