A VERDADEIRA DIGNIDADE DA MULHER

A última criatura que Deus criou foi a mulher;
“tirada” do homem; com a mesma dignidade dele para ser-lhe “companheira
adequada” (cf. Gen 2, 18) e para ser com ele “uma só carne” (Gen 2, 24). Um foi
feito para o outro, completamente diferentes, no corpo e na alma, na voz e na
força, nas lágrimas e na sensibilidade. Ao casal humano Deus entregou o destino
do mundo: Crescei e multiplicai, enchei a terra e submetei-a (Gn 1, 28).

Assim, o casal
humano – homem e mulher – foram colocados por Deus como o fundamento da
humanidade e da sociedade; destruir este arquétipo divino é destruir a própria
humanidade.

A mulher foi moldada por Deus para ser, sobretudo,
mãe e esposa: delicada, meiga, compassiva, generosa, paciente. Um perigoso
feminismo, “avançado”, tende a igualar entre si homem e mulher, destruindo a
beleza da diferença dos dois sexos, especialmente a da mulher. É a perigosa
ideologia de “gênero”, que destrói a humanidade na sua raiz. Muitas vezes, a
palavra “gênero” aparece hoje no lugar da palavra “sexo”, com o intuito de
eliminá-lo. Em vez de se falar de “diferença entre os sexos”, fala-se de “diferença
entre os gêneros”. Essa palavra esconde toda uma perigosa ideologia. Os seus
principais erros são esses:

1 – Não existe um homem natural nem uma mulher natural. O ser humano nasce sexualmente neutro. A sociedade é que constrói os papéis masculinos ou femininos. “Gêneros” são papéis socialmente construídos. Não é a natureza – nem Deus – , mas a sociedade que impõe à mulher e ao homem certos comportamentos e certas normas diferentes segundo essa ideologia. Se as mulheres se casam com homens, e não com outras mulheres, isso não se deve à lei da natureza, mas à construção da sociedade. Se os homens se sentem na obrigação de trabalhar fora de casa para sustentar a família, enquanto as mulheres sentem necessidade de ficar com os filhos, nada disso é natural. São meros papéis, desempenhados por tradição, mas que poderiam perfeitamente ser trocados. Assim, a mulher, ingenuamente, “acredita” que seu lugar mais importante é o lar, que nasceu para se mãe, que deve sacrificar-se pelos filhos, que deve ser fiel ao marido… Tais “construções sociais” não têm fundamento, dizem as feministas.

2 – Assim, é preciso “desconstruir” tais idéias,
conscientizando a mulher de que ela está sendo enganada e explorada. Uma vez
liberta de tais “construções sociais”, ela vê-se livre para construir a si
mesma: pode livremente optar por ser lésbica, por não ser mãe ou por matar o
filho concebido (ou, como se diz: “interromper a gravidez”). Tudo passa a ser
permitido.

A origem deste perigoso feminismo vem do filósofo
alemão, amigo inseparável de Karl Marx, Friedrich Engels (1820-1895), juntos
fundaram o chamado “socialismo científico” ou marxismo. Engels dizia: “O
primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do
antagonismo entre o homem e a mulher, unidos em matrimônio monógamo, e a
primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo
masculino [The Origin of the Family, Property and the State”, International
Publishers, New York , 1972, pp. 65-66. 2].

De acordo com a doutrina marxista, não há conciliação
possível entre as classes, há que se eliminá-las. Seguindo a mesma linha, o
feminismo atual, com bases no marxismo, não deseja simplesmente melhorias para
as mulheres, mas sim, eliminar as “classes sexuais”. Diz a feminista radical
Shulamith Firestone, em seu livro “The Dialectic of Sex” (A dialética do sexo):
(…) assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada
(as mulheres) faça uma revolução e se apodere do controle da reprodução, que se
restaure à mulher a propriedade sobre seus próprios corpos, como também o
controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias
como todas as instituições sociais de nascimento e cuidado de crianças (…) a
meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente não simplesmente
acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de sexos: as
diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente.

A respeito da mulher que opta por ficar em seu lar
cuidando dos filhos, diz a feminista Christina Hoff Sommers: Pensamos que
nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar a nenhuma
mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser
totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa
opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela [Sommers, Christina Hoff.
Who Stole Feminism?, Simon & Shuster , New York , 1994, p.257].

A civilização atual atravessa uma fase de rápido
declínio moral. É a mulher, não-contaminada pela mentalidade dominante, com a
sua intuição, sua preferência pelo amor profundo e estável, pela fraternidade e
pela fé religiosa, que deve exercer uma tarefa muito elevada, indispensável
para ajudar o homem a alcançar os valores superiores.

Hoje, a opinião pública pressiona psicologicamente
a mulher para que ela se realize superando o homem, de forma a que busque o
sexo mais que o amor; o trabalho e a ciência mais que a geração e a educação
dos filhos; o racionalismo mais que a fé; o feminismo e o conflito mais que a
ternura; a igualdade de pensamento e de obrigações sociais mais que a
complementaridade. Isso destrói a beleza original dela.

O Papa Paulo VI ressaltava que se o homem tem o primado da razão, a mulher tem o primado do coração;
e este não é menos importante. Por isso, a mulher não pode se afirmar na
sociedade querendo copiar os erros do homem: corrupção, fraude, violência,
aborto, eutanásia, exploração do sexo, cultura da morte, endeusamento da
glória, do dinheiro e do prazer… Ao contrário, ela precisa trazer
uma nova alma à sociedade, fruto da sua beleza e do seu amor.

Infelizmente, a própria mulher aceita e permite
comercializar brutalmente o seu corpo, por dinheiro e glória, como se fosse uma
coisa e não uma pessoa. Além disso, defende-se que a gravidez é incompatível
com o seu contrato de trabalho, e muitas até aceitam a imposição do aborto para
não prejudicar a profissão.

O feminismo
divulgou a idéia de que quem está fora do mercado de trabalho não tem valor.
Por isso, há hoje uma geração de mulheres que não têm filhos; ou têm apenas um.
O que será desse casal quando ambos envelhecerem? A família é quem oferece os
cuidados básicos às pessoas idosas. Se muitos casais não tiverem filhos, haverá
uma mudança drástica na sociedade, com muitos idosos sem amparo familiar. Hoje,
é comum velhos morrerem sozinhos em seus apartamentos na Europa. Por outro
lado, velhinhos fogem dos asilos da Holanda para a Alemanha com medo da
eutanásia.

O feminismo foi responsável por difundir essa visão
de que apenas o trabalho importa e nada mais vale a pena. Com isso, muitas
mulheres abandonaram a vida conjugal e familiar. Chegaremos a um ponto em que a
sociedade vai entrar em pânico pela nova conjuntura, especialmente pela falta
de crianças, como já acontece em toda a Europa.

Há nitidamente no mundo hoje uma ação deliberada
para “desconstruir” a família, e os principais pontos dessa estratégia estão em
desvalorizar o casamento e a maternidade. Jamais a mulher poderá se realizar
mais em outra vocação do que na maternidade. É aí que ela coopera de maneira
mais extraordinária com Deus na obra da criação e, conseqüentemente, é aí que
ela encontra a sua verdadeira realização. São Paulo afirma a Timóteo que: “A
mulher será salva pela maternidade” (1Tm 2,15).

Assim se expressou
o Papa João Paulo II: “Não há dúvida de que a igual dignidade e
responsabilidade do homem e da mulher justificam plenamente o acesso da mulher
às tarefas públicas. Por outro lado, a verdadeira promoção da mulher exige
também que seja reconhecido o valor da sua função materna e familiar em
confronto com todas as outras tarefas públicas, em geral reservadas ao homem”
(Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”,
23).

Sem o papel fundamental da mulher como mãe e
esposa, segundo o plano original de Deus, a humanidade perecerá.

Prof. Felipe Aquino

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